quinta-feira, 27 de outubro de 2005

Bento XVI busca aprofundar os laços de amizade entre judeus e católicos

Ao comemorar com uma carta os 40 anos da declaração «Nostra Aetate»

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 27 de outubro de 2005 (ZENIT.org).- Bento XVI propôs uma maior amizade e colaboração entre judeus e cristãos para dar testemunho do único Deus e defender os direitos fundamentais da pessoa humana.

"A meu venerado irmão Cardeal Walter Kasper, Presidente da Comissão para as Relações Religiosas com o Judaísmo
Passaram quarenta anos desde que meu predecessor, o Papa Paulo VI, promulgou a declaração do Concílio Vaticano II sobre as relações da Igreja com as religiões não-cristãs, Nostra Aetate, que abriu uma nova era nas relações com o Povo Judeu e assentou a base de um sincero diálogo teológico. Este aniversário nos oferece razões suficientes para expressar gratidão a Deus onipotente pelo testemunho de todos os que, apesar de uma complicada e com freqüência dolorosa história, e de maneira especial depois da trágica experiência da Shoah, que foi inspirada por uma ideologia neo-pagã racista, trabalharam com valentia por promover a reconciliação e fomentar a compreensão entre cristãos e judeus.
Ao pôr as bases de uma renovada relação entre o Povo Judeu e a Igreja, a «Nostra aetate» sublinhou a necessidade de superar os preconceitos, as incompreensões, a indiferença e a linguagem de desprezo e hostilidade do passado. A declaração foi a oportunidade para uma maior compreensão e respeito recíprocos, para a cooperação e, com freqüência, para a amizade entre católicos e judeus. Desafiou-os, também, a reconhecer suas raízes espirituais compartilhadas e a apreciar sua rica herança de fé em um único Deus, criador do Céu e da Terra, que estabeleceu sua aliança com o Povo Eleito, revelou seus mandamentos e ensinou a esperança nessas promessas messiânicas que dão confiança e consolo nas dificuldades da vida.

Neste aniversário, no qual voltamos nosso olhar às quatro décadas de contatos frutuosos entre a Igreja e o Povo Judeu, é necessário que renovemos nosso compromisso a favor do trabalho que ainda fica por fazer. Neste sentido, desde os primeiros dias de meu pontificado, e em particular durante a recente visita à Sinagoga em Colônia, expressei minha firme determinação de percorrer as marcas traçadas por meu predecessor, o Papa João Paulo II. O diálogo judeu-cristão tem de seguir enriquecendo e aprofundando os laços de amizade que se desenvolveram, e a pregação e a catequese tem de se comprometer para assegurar que se apresentem nossas relações recíprocas à luz dos princípios estabelecidos pelo Concílio.

Olhando para o futuro, espero que tanto no diálogo teológico como na colaboração cotidiana os cristãos e os judeus ofereçam um testemunho compartilhado ainda mais convincente do único Deus e de seus mandamentos, da santidade de vida, da promoção da dignidade humana, dos direitos da família e da necessidade de edificar um mundo de justiça, reconciliação e paz para as futuras gerações.
Neste aniversário, asseguro-lhe minhas orações e por todos os que estão comprometidos em promover uma maior compreensão e colaboração entre cristãos e judeus, de acordo com o espírito de «Nostra Aetate». Invoco a benção de Deus de sabedoria, alegria e paz sobre todos vós.
Vaticano, 26 de outubro de 2005
 BENEDICTUS PP. XVI"
[Traduzido por Zenit] ZP05102705
O pedido constitui a passagem central da carta que enviou ao cardeal Walter Kasper, presidente da Comissão para as Relações Religiosas com o Judaísmo, por ocasião dos quarenta anos de publicação da declaração do Concílio Vaticano II «Nostra Aetate».

Aquele documento, sobre as relações da Igreja com as religiões não-cristãs, como reconhece o próprio pontífice em sua carta, «abriu uma nova era nas relações com o Povo Judeu e assentou a base de um sincero diálogo teológico».

Ao celebrar o aniversário, que acontece em 28 de outubro, o Santo Padre expressa sua gratidão a Deus «pelo testemunho de todos os que, apesar de uma complicada e com freqüência dolorosa história, e de maneira especial depois da trágica experiência da Shoah, que foi inspirada por uma ideologia neo-pagã racista, trabalharam com valentia para promover a reconciliação e fomentar a compreensão entre cristãos e judeus».

O sucessor do apóstolo Pedro compromete-se pessoalmente neste desafio e assegura que pretende continuar com o caminho já traçado nesta direção por João Paulo II, como demonstrou com as intervenções de início de seu pontificado e com a recente visita à Sinagoga em Colônia.

«O diálogo judeu-cristão tem de seguir enriquecendo e aprofundando os laços de amizade que se desenvolveram, e a pregação e a catequese tem de se comprometer para assegurar que se apresentem nossas relações recíprocas à luz dos princípios estabelecidos pelo Concílio», afirma.

Como objetivo para o futuro, Bento XVI espera que «tanto no diálogo teológico como na colaboração cotidiana os cristãos e os judeus ofereçam um testemunho compartilhado ainda mais convincente do único Deus e de seus mandamentos, da santidade de vida, da promoção da dignidade humana, dos direitos da família e da necessidade de edificar um mundo de justiça, reconciliação e paz para as futuras gerações».

Fonte: Zenit  Link Permanente: http://www.zenit.org/article-9227?l=portuguese